terça-feira, 28 de novembro de 2017

Maria de Nazaré na visão espírita



“Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos do nosso sistema existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo (...). Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos. A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção” (Livro: A Caminho da Luz – Emanuel; Capítulo 1 – A Gênese Planetária)

Jesus poderia realizar sua missão aqui na terra sozinho, por ser um Espírito puro e evoluído, mas será que isso iria de encontro a um ser puro? Fazer tudo sozinho? Por isso, essa falange de Espíritos trabalharia junto com Jesus para desenvolver o planeta e os que aqui habitam. Mas, qual natureza seria esses espíritos encarregados de auxiliar Jesus em sua missão para com a humanidade? Sabemos que a escolha foi pela Comunidade de Espíritos puros, mas, e os escolhidos que ordem seriam? Vejamos abaixo a pergunta 97 do livro dos Espíritos:

97 – Há um número determinado de ordens ou de graus de perfeição entre os Espíritos?

“(...) Todavia, considerando-se os caracteres gerais dos Espíritos, elas podem reduzir-se a três principais. Na primeira, colocar-se-ão os que atingiram a perfeição máxima: os puros Espíritos. Formam a segunda os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é o que neles predomina. (...)”

Notamos então que Jesus, perfeição máxima, pertencente a ordem dos Espíritos puros necessitaria de um espírito que estivesse próximo a sua ordem de perfeição. Maria, embora não estivesse no centro de ordem dos Espíritos puros, estava na segunda ordem, com elevação muito próxima da perfeição máxima, fruto de seu trabalho árduo no plano espiritual. Afinal, apenas um Espírito onde a vontade pelo bem predomina, teria maiores chances de cumprir seu papel de auxílio ao grande mestre Jesus. A pureza lirial do Espírito de Maria é confirmada no trecho abaixo:

“Maria, mãe de Jesus, é um Espírito de pureza lirial, vindo de planos altamente iluminados, para receber e ter em sua companhia o Espírito mais evoluído que pisou o solo terreno, portador da mensagem de Deus para os homens – O Evangelho – código divino já nas mãos dos homens, que deve ser vivido para que a humanidade se liberte dos sofrimentos, libertando-se da ignorância”.  (Livro: Maria de Nazaré, ditado pelo Espírito Miramez)


     Para receber um Espírito de magnitude ímpar como Jesus, era preciso que o espírito recebedor fosse tão próximo a essa magnitude por merecimento para, só então, poder dar todo o suporte necessário diante da missão que recebera, ou seja, para que Jesus desenvolvesse sua missão necessitara de um espírito sublime como o de Sophia, como assim era chamado Maria ainda no plano espiritual. E para tal, o preparo de Maria se iniciou muito antes, ainda no plano espiritual. Integrava-se aos seareiros do bem onde trabalhava para o esclarecimento espiritual a criaturas ainda envolvidas na ignorância, Espíritos retardatários com sentimentos ruins. Símbolo de abdicação ainda no plano espiritual quando suplica a Deus “Se por acaso eu tenha algo a mais que as minhas irmãs da Terra, vos peço Senhor: apagai-me! Ao juntar-me a elas, que eu seja uma simples mulher, que nunca fugirá ao dever” (Livro: Maria de Nazaré; página 32) 

A humildade e serenidade do Espírito de Maria nos ensina a submissão da vontade de Deus, a humildade perante nossas lutas e batalhas diárias em que necessitamos nos manter igual aos nossos irmãos onde a única diferença deverá ser a nossa fé. 

A Missão de Maria

“Naquele tempo o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré a uma virgem prometida em casamento a um homem chamado José da casa de Davi e o nome da Virgem era Maria, entrando onde ela estava o Anjo lhe disse: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lucas 1, 26-38)

Nota-se nesse cumprimento, a forma do Anjo se dirigir a Maria, que se trata de um cumprimento entre espíritos do mesmo nível, mesma grandeza. Eles já participavam em mesmo nível hierárquico. Obviamente Maria fica perturbada com essa saudação, mas unicamente porque se trata de um espírito bom e não puro. Maria ainda que tenha alcançado no plano espiritual um nível hierárquico desejável, ainda pertencia aos espíritos de segunda ordem, espíritos bons. Com exceção dos Espíritos puros (como Jesus que encarna com plena consciência de sua missão) os demais espíritos de diferentes ordens quando reencarnados há o esquecimento do plano espiritual. Com Maria não foi diferente. Sem esquecimento não haveria provação. 

Maria seguiu com sua missão movida unicamente pela fé. Recebeu a mensagem de Gabriel que ela foi a escolhida para receber o filho de Deus. Sem contestar ou duvidar, recebeu na fé a sua missão e assim a cumpriu. E em sua trajetória como a mãe do mestre Jesus, Maria nos deixa, talvez, um dos maiores ensinamentos para nós. 

“Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. (João 2, 1-12)

Fazei tudo o que Jesus nos disser, nos ensinou. Temos o livre arbítrio mas temos também as leis de Deus e os ensinamentos de Jesus. E sua mãe nos deixa o conselho de fazer e seguir conforme Jesus nos ensina através do evangelho. 

Maria mãe de todos.

Quando Jesus é condenado e submetido ao sofrimento, Maria também sofre. Embora soubesse que não tinha condições de enfrentar os grandes poderosos que estavam por trás da condenação de Jesus, continuou ao lado de seu filho. Sem questionamentos. Ela sabia que a missão de Jesus estava, de fato, se cumprindo. E Jesus, instantes antes de seu desencarne, nos da como mãe, a sua própria mãe, na passagem abaixo:

“Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho".

Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. (João 19:26,27)”


Jesus não restringe a João o amor materno de Maria, mas a todos aqueles que ficam. 


A Propagadora do Evangelho 

Após o desencarne de Jesus, Maria começa a ser procurada por sofredores, por pessoas que necessitavam de consolação. E ela sabiamente oferecia a palavra do evangelho a todos aqueles que chegavam até ela. No livro “Boa Nova” – capítulo 30, destaca-se uma frase que Maria muito falava aos aflitos “Acalme-se, isso também passa, apenas o reino de Deus é bastante forte para nunca passar”. Frase que devemos tomar para nós todos os dias quando nos encontramos em meio a dificuldades, porque devemos nos atentar no poder da nossa fé. As provas que nos são dadas são ensinamentos. Nenhum sofrimento deverá ser eterno. Tudo passa. 


Desencarne e o Trabalho na espiritualidade

Em meio a tanto consolo que Maria ofertava aqueles que a procurava, sua casa passou a ser ponto de peregrinação, ficando conhecida então como a “Casa da Santíssima”. Todos os que lá chegavam recebiam, além do afago das palavras, comida e amor materno. Acostumada então a sempre consolar, um dia Maria recebe um andarilho e antes que ela pudesse falar as doces palavras de bom ânimo e a proclamar o evangelho, esse andarilho começa a dizer a ela as coisas do Alto, o quão grandioso é Deus. E ao invés de consolar, Maria é consolada e começa a sentir uma paz dentro do seu coração inexplicável. 
E ao travar uma conversa, o andarilho enfatiza o quanto foi importante o trabalho dela, finalizando com a seguinte frase: Obrigado por tudo, mãe.
Nesse momento Maria entende que o andarilho, na verdade, é seu filho. É Jesus que veio com o cuidado de lhe acolher e encaminhar para a espiritualidade.

Como relatado no livro “Boa Nova”, Jesus a convida para ser a Rainha dos anjos:

“(...) Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos”

O desencarne de Maria foi assistido por Jesus e acompanhada por grandes falanges de anjos a sua espera. Ao desprender-se da matéria o espírito de Maria deseja, de imediato, rever a cidade de Nazaré e, em seguida, Roma onde havia um massacre dos discípulos de Jesus. O ambiente é então magnetizado pelo espírito sublime de Maria, sendo devolvido a calma e serenidade aos que sofriam. 

Seu trabalho na espiritualidade perdura incansavelmente, no vale dos suicidas, chefiando uma Legião de Servos que socorrem aqueles que se suicidam. No livro “Memórias de um Suicida” é relatado que há um hospital com o nome de Maria de Nazaré onde é cuidado dos espíritos que são levado para o vale dos suicidas.

Exemplo de Perdão Incondicional 
Uma das maiores provações de Maria foi ver seu filho sendo crucificado. Judas, teoricamente, foi o responsável por sua condenação por ter entregue o mestre Jesus. Mas Judas fez o que tinha de fazer. Judas não queria que Jesus fosse morto, que passasse por todo o processo de sofrimento. Na verdade, Judas entrega o Filho de Deus justamente por ele ser o Filho de Deus, o impossível de ser pego, na visão dele. Ele não imaginava que a missão de Jesus seria justamente essa. 
A missão de Judas foi aceita por ele ainda em plano espiritual, mas, passou pelo processo do esquecimento quando reencarnou. Infelizmente, Judas não aguentou tamanha responsabilidade de culpa e acaba se suicidando. 
Judas portanto, é um suicida. Maria cuida do vale dos suicidas. E é ela que vai acolher Judas. Abaixo um poema que retrata o encontro de Judas e Maria: 

Retrato de Mãe. 
Depois de muito tempo, 
sobre os quadros sombrios do calvário. 
Judas, cego no além, errava solitário... 
Era triste a paisagem, o céu era nevoento... 
Cansado de remorso e sofrimento, 
Sentara-se a chorar... 

Nisso, nobre mulher de planos superiores, 
Nimbada de celestes esplendores, 
Que ele não conseguia divisar, 
Chega e afaga a cabeça do infeliz. 
Em seguida, num tom de carinho profundo, 
Quase que em oração ela diz: 
- Meu filho, porque choras? 

Acaso não sabeis? – replica o interpelado, 
Claramente agressivo. 
Sou um morto e estou vivo. 
Matei-me e novamente estou de pé, 
Sem consolo, sem lar, sem amor e sem fé... 
Não ouvistes falar em Judas, o traidor? 
Sou eu que aniquilei a vida do Senhor... 
A princípio, julguei poder fazê-lo rei, 
Mas apenas lhe impus, sacrifício, martírio, sangue e cruz. 

E em flagelo e aflição 
Eis que a minha vida agora se reduz... 
Afastai-vos de mim, 
Deixai-me padecer neste inferno sem fim... 
Nada me pergunteis, retirai-vos senhora, 
Nada sabeis da mágoa que me agita... 
O assunto que lastimo é unicamente meu... 
No entanto a dama calma respondeu: 
- Meu filho, sei que choras, sei que lutas, 
Sei a dor que causa o remorso que escutas... 
Venho apenas falar-te 
Que Deus é sempre amor em toda parte... 
E acrescentou serena: 
- A bondade de Deus jamais condena: 
Venho por mãe a ti, buscando um filho amado. 
Sofre com paciência a dor e a prova. 
Terás em breve, uma existência nova... 
Não te sintas sozinho ou desprezado! 

Judas interrompeu-a e bradou, rude e pasmo: 
- Mãe? Não venhais aqui com mentira e sarcasmo. 
Depois de me enforcar num galho de figueira, 
Para acordar na dor, 
Sem mais poder fugir à vida verdadeira. 
Fui procurar consolo e força de viver. 
Ao pé da pobre mãe que forjara o ser !.. 
Ela me viu chorando e escutou meus lamentos. 
Mas teve medo dos meus sofrimentos. 
Expulsou-me a esconjuros, 
Chamou-me monstro, por sinal 
Disse que eu era 
Unicamente o espírito do mal,
Intimidou-me a terrível retrocesso, 
Mandando que apressasse o meu regresso
Para a zona infernal de onde eu vinha... 
Ah ! Detesto lembrar a horrível mãe que eu tinha... 
Não me faleis de mães, não me faleis de amor, 
Sou apenas um monstro sofredor... 

Inda assim – disse a dama docemente: 
- Por mais recuses, não me altero, 
Amo-te filho meu, amo-te e quero 
Ver-te de novo a vida 
Maravilhosamente revestida 
De paz e luz, de fé e elevação... 
Virás comigo à terra, 
Perderás pouco a pouco, o ânimo violento, 
Terás o coração 
Nas águas de bendito esquecimento. 
Numa existência de esperança, 
Levar-te-ei comigo 
A remansoso abrigo. 
Dar-te-ei outra mãe ! Pensa e descansa !... 

E Judas neste instante. 
Como quem olvidasse a própria dor gigante, 
Ou como quem se desgarra 
De pesadelo atroz, 
Perguntou: - quem sois vós? 
Que me falais assim, sabendo-me traidor? 
Sois divina mulher, irradiando amor, 
Ou anjo celestial de quem pressinto a luz? 
No entanto ela a fitá-lo frente a frente, 
Respondeu simplesmente: 
- Meu filho, eu sou a mãe de Jesus!!! 
Do livro "Momentos de Ouro", Maria Dolores (Espírito), Francisco C. Xavier (psicografia)





Considerações finais

Maria nos deixa o exemplo da compaixão, solidariedade, resiliência e fé. A ter compaixão até mesmo por aqueles que nos causam algum mal. Nos mostra que devemos colocar nossa fé acima de tudo e de qualquer dificuldade. Porque até mesmo o pior momento passa, dando lugar a nossa autotransformação.

































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